
Hj vai um putaaa texto de uma amiga, Fernanda D'Umbra,que me traduz nesse exato momento...
ABRA A PORTA PELA MANHÃ
E entre. Conte-me. Fale como foi tudo: a festa, a rua, como são as pessoas agora? Ainda têm olhos? Têm cérebros os desgraçados? Ainda têm aquele buraco quase no final da cara por onde falam mal de mim pra você? Por onde concordam em me desatinar? Eu continuo superior, é claro, quase comprei um apartamento dois andares acima para ficar ainda mais longe e poder ignorar e injustiçar a todos. Ah, que delícia, a injustiça! A vingança é um pratinho frio bem mixuruca perto da injustiça, que fumega aromas e sabores. Esganada, engulo sem mastigar. Depois choro, com a língua e céu da boca queimados. O rancor é morno, mas a injustiça é ao vivo. É na hora, e é quente, só falta a manteiga, que também me foi proibida. Escute, é por isso que me tranquei. Porque é melhor aceitar toda a espécie de proibição do que se rebelar. Resignar-se é ser cuzão? Trancar-se em casa e dar um jeito de ser melhor do que toda a merda que te espera lá fora é uma espécie de covardia? Se for, decidi experimentar. Eu que sempre tive coragem, mas só isso, quero agora as benesses da covardia e da vaidade. Escondo-me aqui. Abra a porta.
[Fernada D'Umbra]
Escrito por Raissa às 16h38
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